Existem duas formas contratuais dominantes na indústria da construção nos Estados Unidos, descritas no 1º capítulo do Manual de BIM, escrito por Chuck Eastman (considerado por muitos o Pai do BIM), e outros incríveis profissionais. Quais as diferenças entre os dois métodos? Qual delas é mais receptiva ao uso do BIM? Como relacionamos isso com a realidade brasileira?
Design-Bid-Build – DBB (Projeto-Concorrência-Construção)
Em 2002, cerca 90% dos edifícios públicos e 40% dos edifícios privados nos EUA eram erguidos usando a abordagem DBB. Esse método permite licitações mais competitivas, atingindo o menor preço possível para o proprietário e uma menor pressão para escolha do empreiteiro.
O modelo DBB segue o seguinte fluxo:
Proprietário escolhe arquiteto >> Arquiteto desenvolve projeto >> Arquiteto e/ou proprietário seleciona(m) construtora (menor preço) >> Construtora seleciona subempreiteiros (menor preço) >> Construtora e subempreiteiros constroem o edifício.
Como o construtor precisará de um projeto para fazer o orçamento, esse projeto precisa ter um nível relativamente elevado de desenvolvimento logo no início do processo. Porém muitos arquitetos evitam um aprofundamento no detalhamento do projeto, seja pela falta de dados do canteiro, seja pelo cronograma apertado. Dessa forma eles procuram se eximir da responsabilidade por eventuais divergências ou omissões na etapa de construção.
Além disso, não é raro que construtoras proponham um orçamento abaixo do estimado, só para ganhar o serviço, abusando de modificações e aditivos no decorrer da obra. Com frequência essas divergências levam a atrasos, retrabalhos e disputas entre os envolvidos.
Design-Build – DB (Projeto-Construção)
No método DB há uma mudança na ordem dos contratos e tomadas de decisões. Surgiu como forma de distribuir de maneira justa a responsabilidade pelo projeto e pela construção, com uma única entidade sendo contratada pelo proprietário.
Fluxo do modelo DB:
Proprietário escolhe uma empresa de projeto e construção >> Empresa desenvolve projeto, quantitativos e cronograma físico-financeiro >> Proprietário aprova o que foi desenvolvido >> Empresa seleciona subempreiteiros de acordo com requisitos do projeto ou pelo menor preço >> Empresa e empreiteiros constroem o edifício.
Além de simplificar a vida do proprietário, aqui temos uma obra mais fluida, diminuindo tempo, retrabalhos, estouros de orçamento e disputas de responsabilidade. Por outro lado, há uma menor flexibilidade para o proprietário demandar modificações no projeto inicial, uma vez que o valor do montante do contrato já fora aprovado juntamente com o projeto.
Melhor modelo para aplicação do BIM
Para quem entende que a essência do BIM é colaboração, fica claro que o modelo DB é mais benéfico. A capacidade de comunicação e colaboração entre os setores envolvidos é um dos maiores desafios da construção civil. Essa capacidade é algo muito mais palpável dentro dos limites de uma empresa, cujos envolvidos têm um potencial muito maior de convergência.
A realidade brasileira
Com exceção das grandes incorporadoras, o modelo de contratos mais difundido na construção civil no Brasil é semelhante ao DBB. Mas é possível que uma mudança sensível aconteça nos próximos anos. Um empurrão parece vir com o Decreto Federal nº 10.306, de 2 de abril de 2020, que estabelece um plano para exigência gradual do BIM na execução de obras públicas. Provavelmente veremos muitas parcerias (quiçá fusões) entre escritórios de arquitetura e construtoras de pequeno/médio porte. Esse contato mais próximo tem um incrível potencial para um aumento da eficiência da indústria, que será possível, claro, com a adoção da metodologia BIM.
Você já tem seu exemplar do Manual de BIM, do lendário Chuck Eastman?


